
Caderno de Campo #09 — Quanto custa fazer um audiovisual?
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O que existe por trás de um orçamento de produção
Essa talvez seja uma das perguntas que mais chegam para quem trabalha com audiovisual:
“Quanto custa fazer um vídeo?”
Às vezes a mensagem vem acompanhada de poucas informações.
“Preciso gravar um vídeo institucional.”
“Tenho uma ideia para um documentário.”
“Quero registrar um evento.”
“Preciso de alguns vídeos para as redes.”
“Tenho um roteiro e quero transformá-lo em filme.”
E logo depois vem a pergunta:
“Você consegue me mandar um orçamento?”
Consigo.
Mas aprendi, depois de tantos anos trabalhando com produção, que existe uma pergunta que precisa vir antes do preço:
O que exatamente precisa ser produzido?
Porque dois vídeos com a mesma duração podem ter estruturas, equipes e custos completamente diferentes.
E entender isso antes de apresentar um valor não é complicar o orçamento.
É justamente o contrário.
É tentar construir um orçamento que faça sentido para o projeto.
Um vídeo de três minutos não custa necessariamente o mesmo que outro vídeo de três minutos
Imagine duas produções.
A primeira é uma entrevista realizada em uma única locação, com uma equipe pequena, algumas horas de captação e uma edição simples.
A segunda também terá três minutos de duração.
Mas envolve personagens diferentes, pesquisa, roteiro, duas ou três locações, deslocamento, iluminação, captação de som, direção de fotografia, produção, trilha, tratamento de imagem, legendas e diferentes versões de entrega.
Na tela, os dois vídeos terão três minutos.
Na produção, são projetos completamente diferentes.
Por isso, a duração do produto final é apenas uma das informações necessárias para construir um orçamento audiovisual.
Antes dela existem muitas outras decisões.
O que define o custo de uma produção audiovisual?
Quando começamos a elaborar um orçamento, algumas perguntas ajudam a compreender o tamanho real do trabalho.
Quantas pessoas serão filmadas?
Quantas locações?
Quantas diárias de gravação?
É necessário desenvolver roteiro?
Haverá entrevistas?
Precisamos pesquisar personagens ou conteúdos?
Qual equipe será necessária?
Que equipamentos a proposta exige?
Existe deslocamento?
Haverá maquiagem, direção de arte ou produção de objetos?
O projeto precisa de fotografia, captação de som direto, drone ou equipamentos específicos?
Quantas peças serão entregues?
Horizontal ou vertical?
Existirão versões diferentes para redes sociais?
Será necessário inserir legendas, Libras, audiodescrição ou outros recursos de acessibilidade?
Quantas rodadas de alteração estão previstas?
Qual será o prazo?
E onde esse conteúdo será utilizado?
Cada resposta muda um pouco a estrutura da produção.
E, consequentemente, o orçamento.
O orçamento não começa na câmera
Talvez essa seja uma das partes menos visíveis do audiovisual.
Quando alguém assiste a um filme, um vídeo institucional ou uma campanha, vê a imagem pronta.
Mas antes daquela imagem existir houve planejamento.
Alguém organizou agenda.
Conversou com personagens.
Fechou equipe.
Pesquisou locações.
Construiu cronograma.
Contratou profissionais.
Organizou equipamentos.
Pensou em transporte.
Elaborou documentos.
Resolveu autorizações.
Acompanhou pagamentos.
Administrou imprevistos.
Depois da gravação ainda vieram edição, tratamento de imagem, som, legendas, motion, finalização, exportação e entrega.
Por isso, quando uma produtora apresenta um orçamento, o cliente não está pagando apenas pelas horas em que uma câmera esteve ligada.
Está contratando uma estrutura profissional capaz de transformar uma necessidade ou uma ideia em um produto audiovisual.
E isso muda a maneira como eu faço orçamento
Durante muito tempo trabalhando com produção, fui entendendo que mandar rapidamente um número nem sempre ajuda quem está do outro lado.
Às vezes o cliente pede uma estrutura maior do que realmente precisa.
Em outras situações acontece o contrário: imagina uma produção muito simples para um resultado que exige uma equipe mais completa.
Também existem projetos em que a própria ideia ainda precisa ser organizada antes de ser orçada.
Por isso, gosto de entender primeiro:
Qual é o objetivo?
Para quem estamos produzindo?
Onde esse conteúdo será exibido?
Que resultado ele precisa gerar?
Qual é a estrutura realmente necessária para chegar até esse resultado?
A partir daí, o orçamento deixa de ser apenas uma lista de equipamentos e profissionais.
Ele começa a refletir uma estratégia de produção.
Às vezes, inclusive, o primeiro passo não é produzir
Isso acontece bastante com projetos autorais.
Uma pessoa chega dizendo:
“Tenho uma ideia para um filme.”
Ou:
“Tenho uma história que gostaria de transformar em documentário.”
Nesse momento, talvez ainda não seja possível responder quanto custará produzir.
Primeiro precisamos entender o projeto.
Qual é a história?
Qual formato faz sentido?
É curta, longa, série?
Existe roteiro?
Qual é o estágio de desenvolvimento?
É um projeto para investimento próprio?
Para edital?
Para buscar parceiros?
Para apresentar a uma empresa ou instituição?
Antes de descobrir quanto custa o filme, precisamos descobrir qual filme estamos tentando realizar.
E esse diagnóstico pode evitar muito dinheiro, energia e tempo investidos no caminho errado.
Quando vale contratar uma produtora audiovisual?
Não existe uma resposta única.
Há situações em que uma equipe pequena resolve perfeitamente.
Há outras em que é necessário estruturar uma produção completa.
Uma produtora passa a fazer especialmente sentido quando o projeto envolve diferentes etapas, profissionais, entregas e responsabilidades que precisam funcionar de maneira integrada.
É aí que produção executiva, planejamento, equipe técnica e gestão começam a fazer diferença.
Porque produzir também é administrar uma série de pequenas decisões para que, no final, o público veja apenas uma coisa:
a história funcionando.
E quanto custa, afinal?
Depende.
Eu sei que essa talvez não seja a resposta que alguém esperando um número gostaria de encontrar.
Mas é a resposta mais responsável.
O valor de uma produção audiovisual depende do que precisa ser realizado e das condições necessárias para realizar aquilo bem.
Por isso, antes de perguntar apenas:
“Quanto custa um vídeo?”
Talvez valha perguntar:
“Que produção precisamos construir para chegar ao resultado que queremos?”
Quando essa resposta está clara, o orçamento também começa a ficar.
E é justamente aí que uma boa produção começa.
Quer tirar seu projeto do papel?
Se você já sabe o que precisa produzir, a Cinese Audiovisual pode desenvolver um orçamento adequado ao escopo do seu projeto.
E, se a ideia ainda precisa de clareza, planejamento ou direcionamento, a Sessão Estratégica pode ser o primeiro passo para entender qual é o melhor caminho de realização.
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Porque, antes de definir quanto custa produzir, vale entender o que o seu projeto realmente precisa para acontecer bem.
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