
Caderno de Campo #07 – Confiança e Responsabilidade
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Ness caderno de campo #07 vamos falar um pouco sobre o preço da confiança e o peso da responsabilidade
Por Alice Lira
Há semanas em que o trabalho acontece diante das câmeras.
E há semanas em que ele acontece quase inteiramente nas conversas.
Telefonemas.
Reuniões.
Apresentações.
Parcerias que começam a ser desenhadas.
Convites que ainda não existem oficialmente, mas já exigem responsabilidade.
Passei boa parte desta semana articulando possibilidades. Algumas nasceram de encontros recentes, outras retomaram relações construídas há muitos anos. Em comum, todas dependiam de um elemento que raramente aparece nos cronogramas de produção: a confiança.
No audiovisual, costumamos falar muito sobre orçamento, equipe, equipamentos e prazos. Mas grande parte dos projetos começa antes de qualquer contrato. Começa quando alguém acredita que vale a pena caminhar ao seu lado.
Essa percepção me fez pensar que confiança também é um patrimônio. Ela leva anos para ser construída e pode ser colocada em risco por decisões tomadas em poucos minutos.
Ao longo da minha trajetória, percebi que esse processo nem sempre acontece da mesma forma para todas as pessoas.
Como mulher, muitas vezes senti que precisava apresentar mais resultados antes que minha palavra fosse considerada suficiente. Em diferentes contextos, a competência parecia precisar de comprovações constantes. Enquanto alguns profissionais eram recebidos com uma confiança inicial, eu frequentemente precisava conquistá-la passo a passo.
Não encaro isso como uma experiência exclusivamente individual. Muitas mulheres que atuam na cultura, na produção e na gestão de projetos relatam percursos semelhantes. A confiança, para elas, raramente é um ponto de partida. Costuma ser uma conquista cotidiana.
Talvez por isso eu tenha aprendido a valorizar tanto a coerência.
Cumprir prazos.
Ser transparente quando algo não pode ser realizado.
Reconhecer limites.
Não assumir compromissos que não poderei honrar.
Percebo que essas pequenas escolhas constroem uma reputação muito mais sólida do que qualquer apresentação institucional.
Também aprendi que confiar não significa aceitar tudo.
Articular projetos exige abertura para novas possibilidades, mas também discernimento para reconhecer quais parcerias fortalecem o trabalho e quais apenas desviam energia daquilo que realmente importa.
A confiança verdadeira não nasce da urgência.
Ela nasce da consistência.
Talvez seja esse um dos maiores aprendizados desta semana.
Projetos podem mudar.
Recursos podem faltar.
Cronogramas podem ser refeitos.
Mas a forma como conduzimos nossas relações permanece.
E, no fim das contas, talvez seja justamente isso que sustente uma trajetória de longo prazo.
Porque equipamentos envelhecem.
Tecnologias mudam.
Editais se encerram.
Mas a confiança continua sendo uma das poucas moedas que se valorizam quando cuidamos bem dela.
—
Alice Lira
Caderno de Campo – Lugares que Permanecem #07
Cada projeto começa muito antes da primeira entrega.
Se este texto dialogou com o momento que você está vivendo, talvez seja hora de organizar suas ideias, fortalecer sua estratégia e construir novas possibilidades.
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